No implacável mundo dos negócios, onde nem sequer o almoço é grátis, as oportunidades surgem apenas para quem está antenado nos acontecimentos, sabe se antecipar a eles e tem acesso aos recursos financeiros necessários para estar no lugar certo e na hora exata.
Da mesma forma como em tempos de Brasil enfraquecido os estrangeiros chegaram para comprar empresas ultra-lucrativas em qualquer parte do mundo, mas aqui vendidas a preço de banana podre, agora que a situação se inverteu e o Brasil consegue posar de superpotência em maio aos cacos de gringos e europeus, a hora é de aproveitar oportunidades, barganhar o quanto puder e comprar baratinho o que ainda resta de pé nos lugares avassalados pelas crises econômicas sucessivas.
A sugestão vale para qualquer setor econômico, mas fixemo-nos apenas nos que aqui mais interessam: os ligados à logística. Parece chegada a hora de o empresariado brasileiro – o mesmo que se queixa no plano interno da carga tributária excessiva, que tira a nossa competitividade, mas parece incapaz de buscar alternativas inteligentes – aproveitar as oportunidades (já descritas como o reverso da crise) que surgem no Hemisfério Norte, para plantar pés firmes nesses mercados, que um dia hão de se recuperar.
Empresas europeias e estadunidenses estão à venda, por baixo preço. Nichos de mercado estão a descoberto, à espera de quem inicie a conquista desses espaços, visando o crescimento que necessariamente se segue às crises.
Se o Brasil aproveitar agora para investir numa sólida base de apoio (instalações portuárias e estaleiros, silos e pátios, empresas de apoio logístico, de transportes terrestres e aquáticos, de energia, tradings, provedores de informações etc.), ganhará uma poderosa estrutura de apoio, não apenas ao comércio internacional direto, como também para lucrar em terceiros mercados, como os que existem (mesmo agora) entre Europa e Oriente Médio, Estados Unidos e China etc.
Empresas antenadas com os acontecimentos saberão inclusive se posicionar para obter lucros em mercados hoje mal sonhados, como Vietnã, Myanmar, países africanos, ou pelo menos em mercados vizinhos como Peru e Colômbia. Ah! Para quem gosta de um tango à meia-luz, temos também os hermanos argentinos, e suas fronteiras no Mercosul - que mais parecem abanos, de tanto que abrem e fecham...