Dia 12 de junho é considerado Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil. No Brasil, o trabalho infantil regrediu nos últimos anos, em parte como resultado dos programas sociais focalizados na transferência de renda através da manutenção das crianças na escola, como Bolsa Família e Bolsa Escola. Contudo, há ainda razoável número de crianças nos semáforos, carvoarias e lavouras do Brasil.
O problema maior, entretanto, não é este trabalho, que as pessoas sabem que existem e tentam combater, mas o trabalho infantil invisível. Esse é aquele que acontece cotidianamente no ambiente familiar, onde as mães delegam aos filhos as tarefas da casa. Não digo pequenas tarefas, como arrumar a cama e lavar o seu prato depois do almoço. Falo de atividades como cuidados com o irmão mais novo e arrumação da casa enquanto pais e mães estão trabalhando para garantir o sustento da família.
Dados da PNAD-IBGE 2011 mostram que 49% dos meninos e 88% das meninas entre 10 e 15 anos trabalham cerca de 20 horas semanais no ambiente da casa. É um dado alto se consideramos que estas crianças deveriam estar preocupadas com a lição de casa, a leitura de um livro ou mesmo o seu lazer e não com obrigações domésticas. Mesmo em lares mais carentes, onde o único recurso da mãe para poder trabalhar é contar com o filho mais velho para cuidar dos mais novos e da casa, tal delegação deveria ser repensada.
Junta-se a este tipo de trabalho infantil aquele também invisível, pelo glamour que porta: o trabalho dos artistas e atletas mirins. Vistos como oportunidades de ascensão para famílias inteiras, estas não se importam em permitir que suas crianças fiquem 6, 8 até 12 horas em sessões de fotos, filmagens ou treinos extenuantes. Crianças de 3, 4, 8, 10, 12 anos submetem-se a tais condições de trabalho, às vezes não por vontade própria, mas por desejo ou sonho dos pais. E destes, quantos Neymars e Maísas teremos?
São estes tipos de trabalho infantil que temos que combater. Devemos cuidar das nossas crianças, pois tais como os meninos dos semáforos, as pequenas misses e os futuros reis do futebol também querem brincar, estudar, ou seja, serem crianças, como aqueles amiguinhos da rua ao lado.
Referência
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Trabalho para o mercado e trabalho para casa: persistentes desigualdades de gênero. Comunicados do IPEA nº 149. Disponível em <http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/comunicado/120523_comunicadoipea0149.pdf> Acesso em 24. mai. 2012