O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, descartou ontem que a execução das obras de mobilidade de Porto Alegre para a Copa do Mundo de 2014 esteja em rimo lento. Rebelo, que completou dois dias de visita à Capital, espera a conclusão do plano de melhorias até o evento. “A gente fica com mania de atraso”, criticou Rebelo, que ainda chamou “de conceito subjetivo” considerar que as obras estão lentas. Na terça-feira, enquanto governo estadual, municipal e ministro festejavam os dois anos para a Copa, auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontaram riscos de perda de verbas federais devido ao vencimento do contrato com a Caixa Econômica Federal. A prefeitura busca a prorrogação, que já teria sido autorizada pelo Ministério das Cidades.
A fase atual, na qual apenas três das quase 15 obras de mobilidade estão em andamento, foi considerada pelo ministro como etapa de papel. “As obras cumprem um período importante, parte do tempo que os jornalistas dizem que não sai do papel. É uma forma de preconceito”, criticou. O rol de projetos da Capital gaúcha envolve mais de R$ 500 milhões em financiamento federal, com repasses previstos por meio da Caixa. “As obras têm importância no papel, pois têm planejamento, licitação e contrato que estão no papel”, teorizou o ministro, que foi insistentemente questionado sobre a conclusão dos projetos até 2012, momentos antes de palestrar no Tá na mesa, da Federasul. “Não é porque está no papel que está perdendo tempo.” Rebelo falou sobre os preparativos para o Mundial e chegou a dizer que teve mais trabalho como relator do Código Florestal do que até agora na condução dos projetos da Copa.
O ministro ainda frisou que, “na fase de papel”, fiscalizadores e controladores do setor público, podem cobrar e buscar informações, indicando adaptações. “Depois desta etapa, tudo terá mais rapidez.” Na Capital, o TCE sugeriu mudanças que levaram a cancelamentos de editais e republicação de documentos devido a problemas na redação e até orçamentos de projetos para contratação com valores acima do necessário. Neste caso, o recálculo foi atribuído a erros no programa que gera os preços finais. Dois corredores de ônibus (das avenidas Bento Gonçalves e da Protásio Alves) e duplicações das avenidas do entorno do Beira-Rio estão sendo executados.
Rebelo espera que a cidade termine os projetos até a Copa. Ele evitou levantar dúvidas sobre o cumprimento do plano da matriz de responsabilidade e reforçou que espera a finalização. “Por que deveria dizer não? Para levantar suspeição sobre quem?” O ministro voltou a dizer que a Fifa indica que as obras não são essenciais para a Copa. Rebelo reafirmou que obteve convicção do prefeito José Fortunati sobre o cronograma.
Ao afastar risco de atraso de obras, o ministro achou tempo para reclamar dos tamanhos dos banheiros nos aeroportos. Ele citou que a valorização comercial de área dos terminais gerou redução do espaço aos sanitários. “Com isso, espaços foram cedidos a lojas, e muitos ficaram distantes dos passageiros.” O ministro visitou as obras da arena do Grêmio pela manhã e se mostrou surpreso com o ritmo dos trabalhos.
Ministro descarta que Copa gere disputa política
O ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB), não acredita que a Copa de 2014 acabe gerando disputa entre os candidatos municipais. Os investimentos e a condução dos projetos envolvem tanto o município quanto a União, que têm candidatos da mesma base de apoio concorrendo ao paço municipal, em Porto Alegre. Ao lado de Rebelo na coletiva do Tá na Mesa, na Federasul, a deputada federal e pré-candidata na Capital do PCdoB, Manuela D’Ávila, disse que o Mundial deverá ser um dos temas, “mas não o mais importante” da campanha do segundo semestre. O prefeito de Porto Alegre e pré-candidato do PDT, José Fortunati, compareceu ao evento durante a palestra do ministro.
Rebelo informou que deve estar no palanque da candidata comunista em Porto Alegre. “Sempre estarei ao lado de uma candidata com o porte e a força de Manuela. Serei carneiro de batalha e acompanharei nossos candidatos.” Para o titular do Ministério do Esporte, esse tipo de conduta é normal e não deve implicar desrespeito ao candidato do PDT, já que comunistas e pedetistas estão juntos na base do governo federal. “Mas lembro que os ministros do PDT vão naturalmente apoiar seu candidato e não a Manuela.” O ministro adiantou que espera contar com o apoio do PT à deputada federal, caso ela esteja em um eventual segundo turno e Adão Villaverde, pré-candidato petista, não. O comunista acredita que o PCdoB tem chance de vencer em Fortaleza, Florianópolis e na Capital gaúcha.
Fonte: Jornal do Comércio