A atividade portuária é constituída por uma infinidade de embarcações, equipamentos e pessoas que fazem desse segmento um dos mais diversificados e ricos em termos de imagens. Talvez por esse motivo tantos artistas resolvam retratar o porto e suas nuances por meio de poesias, como pôde ser visto nos concursos literários realizados por PortoGente, e de artes plásticas, que também já foi tema de salão promovido por este website.
Na cidade de Santos, são muitos os artistas que optam por pintar o cais, seja por mero capricho ou por profunda identificação pessoal. Um desses artistas é Mário Eduardo de Matos, professor de pintura e de música, que venceu a recente exposição “Relação Porto-Cidade: a cidade de Santos e seu porto”, promovida pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) na Pinacoteca Gaffrée & Guinle. Ele faturou o prêmio na categoria “Porto” com a obra “Cais de Santos”, um óleo sobre tela de 80x70 cm.
Matos conta que grande parte de suas obras está ligada ao cais e a naturezas mortas. “Eu gosto de pintar temas portuários pois eles te dão mais liberdade para dissolver a imagem, uma técnica da qual gosto”. No caso de sua tela premiada, “Cais de Santos”, a inspiração veio de uma fotografia antiga. A partir dela, o artista captou detalhes e retratou uma embarcação antiga na obra. “Essa tela é um presente que fiz para uma sobrinha que mora em Botucatu, mas até hoje não levei. Agora já vai premiada”. Anteriormente, a mesma obra já tinha sido premiada no Salão de Araras, município do interior de São Paulo.

"Cais de Santos", a obra vencedora de Matos
O artista, que também é professor de Física na Universidade Santa Cecília e no Colégio Presidente Kennedy, calcula que já pintou “centenas de quadros”. A paixão pela pintura, como costuma acontecer com a maioria dos adeptos à arte, vem de criança. Matos recorda de um livro de pinturas que seu professor lhe mostrou quando jovem. “Aquilo me estimulou a pintar. Hoje virou profissão”.
Prêmios em salões de cidades como Serra Negra e Amparo enriquecem o currículo do artista, que já esteve em dezenas de mostras pelo estado de São Paulo, divulgando o Porto e as belezas de Santos para outras regiões. Além das aulas, a renda de Matos é constituída pela venda dos quadros. “Dá para dizer que eu vendo bastante; 99% das telas que pintei foram vendidas. No começo eu não queria vender, mas foi preciso para ganhar me sustentar”.
Entre os planos do artista para o futuro consta criar painéis retratando o Porto de Santos e, também, marinas. Assim como a tela premiada no salão “Relação Porto-Cidade”, ele pretende elaborar as obras a partir de fotografais. “É difícil ter acesso à maioria das partes do cais”, afirma, enumerando outros obstáculos para pintar de frente para paisagem ou embarcação como variações climáticas e velocidade do processo logístico portuário. É aguardar para ver as próximas obras de Matos e dos demais artistas da região dando mais vida e beleza ao maior porto do Hemisfério Sul.