O gigantismo do Porto de Santos, com seus mais de 77 mil metros quadrados de área, atrai a atenção de investidores e a curiosidade de autoridades estrangeiras que, volta e meia, desembarcam na cidade para conhecer como funciona o maior complexo portuário da América Latina. Com o ministro de progresso da província argentina de São Luis, Harold Bridger, não foi diferente. Ele aproveitou sua estadia no Brasil para estreitar os laços comerciais entre os dois países e cobrar integração no Mercosul.
Bridger conversou com empresários brasileiros e chegou a uma conclusão: a situação energética da Argentina merece atenção redobrada e o Brasil pode ser um importante distribuidor de energia para o vizinho. E a província de São Luis está diretamente interessada nisso, pois é a região do país hermano que mais cresce e pode ser uma oportunidade a mais para empresas que exportam a partir do Porto de Santos.
O ministro da província (que equivale ao status de secretário estadual, no Brasil) aproveitou sua visita ao Brasil para frisar a pouca importância que se dá ao Mercosul hoje em dia, cobrando dos empresários locais um senso de responsabilidade com as nações vizinhas.
“O Mercosul existe, porém longe do ideal. Não existe uma verdadeira integração entre as nações. Falta, a meu ver, as pessoas entenderem o conceito de unidade regional. No Mercado Comum Europeu, por exemplo, são desenvolvidos políticas e objetivos que permitem o lucro de todas as partes envolvidas. Se a Argentina ganha muito com soja e leite, que apóiem ela e não tentem fazer concorrência. Quando entenderem isso, a situação mudará para todos os países”.
Quando questionado sobre o porquê de visitar Santos, entre tantas cidades brasileiras, Bridger foi direto. “Santos é a região da América Latina que concentra um dos maiores volumes de carga e movimentação de investimentos, sendo muito importante para um país do porte do Brasil. Mais importante que celebrar acordos é tornar nossas propostas conhecidas e atrair novas oportunidades para São Luis e também para os empresários brasileiros”.
A Argentina realmente mostra interesse em estreitar laços com o Brasil. Na semana passada, quem esteve em Santos foi o subsecretário de portos e vias navegáveis da Argentina, Ricardo Luján. Ele conheceu os projetos santistas de expansão portuária, porém não se encontrou com seu colega brasileiro, Pedro Brito, que estava em Santos no mesmo dia e horário, provando de forma irônica que a integração entre os dois países pode até sair do papel, mas vai demorar a pegar.
E o interesse portenho no Brasil tende a crescer ainda mais, pois a falta de perspectiva para o setor energético argentino preocupa o ministro Bridger, que está de olho na qualidade e a quantidade de energia que os brasileiros geram em todo o país. “Este é um tema importante, tanto que um dos motivos que me trouxe ao Brasil foi a oportunidade de conversar com a Petrobrás sobre a produção e comercialização de energia. Queremos obter a segurança necessária para a nossa própria fonte energética e o Brasil vai nos ajudar nisso”.