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Engenheiro civil e mestre em Infraestrutura e Gerenciamento Viário, Sílvio dos Santos contribuiu com o debate do Portogente sobre regionalização dos portos brasileiros indicando que a seleção dos diretores das companhias docas necessita priorizar gestores com "conhecimentos específicos" referentes aos portos que irão administrar. Sílvio trabalhou no Laboratório de Transportes e Logística da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no período de 2010 a 2016, alocado em projetos para a Secretaria de Portos do Ministério dos Transportes e para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Portogente - É desejável implantar a regionalização dos portos entendida como descentralização e autonomia das administrações dos portos do sistema portuário nacional? Por quê?
Sílvio dos Santos - Sim, a regionalização e também a especialização dos portos pelos seus gestores são necessárias, pois com mais de 30 portos sob o controle federal fica difícil a adinistração a mais de 1.000 km de distância.

Portogente - Ao abordar a regionalização dos portos sob a ótica da produtividade, qual o melhor entendimento da sua modelagem: geográfica (seu entorno) ou logística (sua hinterlândia)?
Sívio dos Santos - Sob a ótica da produtividade, além da geografia do entorno são importantes as capacidades de transporte disponíveis (rodoviária, ferroviária e hidroviária) para se definir a logística adequada que atenderá à demanda da hinterlândia. É fundamental, também, evitar investir nos portos que têm problemas de restrição de capacidade nos acessos antes de equacioná-los.

Portogente - Deve ser alterada a forma de seleção dos executivos da alta direção dos portos, hoje centralizada no Governo Federal?
Sílvio dos Santos - A forma de seleção dos executivos tem que ser descentralizada de Brasília, pois os conhecimentos específicos de cada porto não são do conhecimento desses indicados políticos que chegam nos portos brasileiros com total desconhecimento operacional e físico das instalações portuárias. Como a periodicidade da troca desses executivos é da ordem de dois a três anos, ocorre o fato de serem substituídos justamente quando começam a entender sobre as peculiaridades do porto.

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