Em memória de Wilson Roberto (Tatu)

No último domingo, dia 02 de dezembro, um estivador do Porto de Santos faleceu decorrente de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Esta notícia não causaria espanto se o trabalhador não tivesse sofrido o AVC no Ponto de Escalação 3 do Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo), durante a realização da parede do começo da tarde e o socorro, que deveria ser imediato, não tivesse demorado mais de 15 minutos para chegar.

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Este fato aconteceu no dia 26 de novembro. O estivador Wilson Roberto, conhecido como Tatu, ainda permaneceu internado na UTI durante uma semana, mas não resistiu. Talvez Tatu pudesse estar vivo, caso houvesse estrutura de atendimento à saúde nos pontos de escalação, ao menos no momento da escala.

Alguns podem achar que estou dramatizando, que as coisas não são bem por aí e que falo a partir do discurso de trabalhadores indignados com a morte de um colega. Claro que os TPAs estão indignados com o que aconteceu com Tatu e com o que poderá acontecer com qualquer um deles. Desta forma, não é de surpreender que seus discursos são inflamados. Contudo, estive nos pontos de escala e pude constatar a total falta de infraestrutura para atender os TPAs: desde lugares abafados e barulhentos até a ausência de enfermaria e ambulâncias nos pontos de escala.

Foto: A Tribuna Online

Escalação no interior do Posto 3 do Ogmo

A indignação destes trabalhadores não é sem sentido. Preconizamos o tempo inteiro a necessidade de eles observarem as normas de saúde e segurança do trabalho, contudo, esquecemos que estas normas iniciam-se no momento em que o trabalhador sai de casa para seu local de trabalho e só terminam quando este trabalhador retorna ao seu lar. Desta forma, os pontos de escala devem ser vistos como locais que devem atentar e cumprir as normas de saúde e segurança do trabalho.

Por isso retorno a este ponto. Que a morte de Tatu sirva para que os sindicatos e a CPATP lutem por melhores condições de atendimento nos pontos de escala e que o Ogmo faça com que estes locais obedeçam o que preconiza as normas de saúde e segurança do trabalho, evitando que outros casos como o de Tatu venham a ocorrer.

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