Autonomia está ligada a fatores históricos e alimentação.

A diferença de personalidade entre gatos e cachorros é tópico de discussão frequente entre donos e amantes de pets. Muito se questiona a respeito dos rótulos impostos a cada um deles, especialmente com relação ao comportamento de ambos sob a vida domesticada. Alguns estudos científicos, porém, reforçam autonomia e solidão como características felinas, auxiliando os humanos a entenderem a origem desse perfil e, principalmente, a lidarem com ele no dia a dia.

Há muitas raças diferentes de gatos, desde os silvestres até os felinos domésticos, desde os mais peludos até os pelados. A vida em grupo é muito comum na natureza e seria lógico que esses bichanos optassem por conviver em bando também. Porém, uma pesquisa realizada em 2017, pela Universidade de Lincoln (UK), revelou que, entre os felinos, os gatos, de fato, fazem parte do grupo que dispensa o convívio coletivo.

Alimentação e sobrevivência

Há uma estratégia de segurança e proteção por trás da formação dos coletivos no reino animal. Pássaros, peixes e predadores podem contar com mais olhos atentos ao redor e prevenir possíveis ataques. Dessa forma, cada um pode procurar por comida com mais calma, evitando gastos excessivos de energia. Para a reprodução, o grupo também é útil, pois os filhotes acabam sendo cuidados por todos os membros.

Contudo, uma desvantagem desse estilo de vida refere-se à questão da alimentação. Em determinado momento, os animais acabam tendo que dividir uma mesma quantidade de alimento, o que faz com que a dieta de cada um seja reduzida, ou que os esforços para a caçada tenham que ser aumentados. E os felinos sabem disso.

No caso de gatos selvagens, por exemplo, essa competição seria cruel. Os leopardos chegam a comer 23 kg de carne em poucos dias. Se tivessem que dividir essa refeição, certamente ficariam insatisfeitos. Por isso, eles vivem sozinhos e fazem da caça um momento igualmente solitário.

Os gatos domésticos têm comportamento semelhante: não gostam de dividir a comida. E seu histórico de domesticação tem total relação com a alimentação. Isso porque todos os gatos domésticos descendem do Felis silvestris, gato selvagem do Oriente Médio — também conhecido como “gato-do-mato”. Isso quer dizer que os seres humanos convenceram esses bichos a deixarem seus territórios naturais, em meio à floresta?

A origem dos gatos domésticos

Na verdade, esses gatos selvagens foram atraídos aos seus “futuros donos” pela imensa quantidade de ratos nas cidades e alojamentos. Ou seja, eles próprios decidiram se locomover e se adaptar. Eles “se domesticaram”, de alguma forma. O homem, por sua vez, percebeu as vantagens de ter, ao seu lado, um controle natural para o volume de roedores. E assim, começou o relacionamento entre donos e seus pets.

A história mostra, portanto, que os gatos não são absolutamente avessos à vida social. Porém, eles têm sua própria dinâmica social, e esta será sempre uma relação determinada por eles. E, de algum modo, a solidão está impregnada nesse contexto em diversos momentos, como herança de muitos anos de seleção natural.

Um estudo mais recente, da Universidade do Estado do Oregon, nos Estados Unidos, afirma, ainda, que os gatos se sentem seguros na presença de seus donos. Isso porque, em experiência realizada com uma amostra de 70 bichanos, revelou-se que eles estavam menos estressados na presença de seus cuidadores, traduzindo-se vínculo emocional. Ainda assim, o resultado não é conclusivo: para alguns investigadores, a pesquisa precisa ser realizada com estranhos também, para avaliar se os gatos só reagem assim, de fato, com seus donos.

A pesquisa de Lincoln aponta também para esse sentido. Ao comparar o gato doméstico com quatro gatos selvagens — o escocês, o leopardo-nebuloso, o leopardo-da-neve e os leões africanos —, os domésticos se aproximaram dos leões em termos de personalidade. Isso porque os leões fazem parte do grupo de exceção entre felinos. O rei da selva prefere viver em coletivo por questões territoriais e, igualmente, por alimentação, já que uma caça pode servir a várias fêmeas de uma só vez.

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