Abrir uma loja virtual é o desejo e o sonho de muitas pessoas que querem abrir o próprio negócio e poder trabalhar de casa, com horários flexíveis, mas será que montar um e-commerce é realmente tão simples e fácil quanto parece?

Conversamos com Bruna Bozano, consultora de negócios há mais de uma década e CEO da joalheria santista Joias Boz para conseguir algumas dicas de como abrir uma loja virtual.

Primeira Etapa: Pesquisa

Abrir uma loja virtual é realmente muito fácil, porém, mantê-la aberta e lucrativa ao longo dos anos é muito mais complexo do que pode parecer sob um primeiro olhar.

A etapa de pesquisa é uma das mais complexas e mais frustrantes para a maioria dos empreendedores, porque muitas vezes ele se depara com uma realidade completamente diferente da esperada.

Muitas pessoas acreditam que suas ideias são inovadoras e diferenciadas, porém, quando vão para o mercado realizar uma pesquisa, descobrem que não só a ideia já existe como já é vastamente comercializada.

Ser mais um no mercado pode ser um problema muito grande ou não ser problema nenhum, tudo depende de como o empreendedor pretende encarar a situação.

O mercado de semijoias, por exemplo, é extremamente habitado e já existem marcas em todos os Estados do país, porém, segundo Bruna Bozano, é um mercado que não está nem perto da saturação, visto que o público feminino é enorme e trata-se de um produto que não compete em preço, por exemplo. O que faz a determinação da compra é o gosto pessoal e nesse aspecto, nenhuma loja será unanimidade, o que faz com que haja espaço para muita gente.

Esse é um fator que você pode considerar quando decidir montar uma loja virtual: você vai competir apenas por preço? Se essa é a ideia inicial, melhor pensar um pouco mais.

Pesquisa de nicho

Uma das etapas mais importantes da pesquisa é sobre o nicho de mercado.

Você pretende trabalhar com eletrônicos? Se sim, que tipo? Alto valor como smartphones e notebooks? Ou valores mais baixos como fones de ouvido e acessórios para computadores?

Nesse mercado, a competição por preços é bastante severa, pois é muito fácil encontrar outras lojas vendendo os mesmos produtos.

Pretende trabalhar com vestuário? Se sim, feminino, masculino ou infantil? Público P, M, G ou quer trabalhar com linha Plus Size? Trabalhará com um estilo mais casual, fitness ou social?

Prefere ir para o ramo joalheiro? Pode pensar se vai trabalhar com joias masculinas ou femininas, se pretende seguir a linha de alianças, solitários e anéis de formatura ou acessórios para o dia a dia e ainda, se vai trabalhar com público religioso, LGBT ou qualquer outro público específico.

Ao ter uma ideia, pesquise sobre os concorrentes que já estão no segmento, veja como eles trabalham nas redes sociais, como é feito o atendimento, o prazo e outras questões em relação à abordagem do público.

Pesquisa de produto

Após a escolha do nicho, ainda há um longo caminho a perseguir.

Você precisa definir o produto principal do seu negócio.

Exemplo:

Se você escolheu uma loja de roupas e já decidiu que irá trabalhar com público feminino, plus size, a próxima escolha é:

Você pretende trabalhar com jeans? Com roupas de linho? Seda? Camisetas?

Dificilmente uma marca ou loja conseguirá abarcar todo tipo de produto, principalmente no início, por isso, é preciso que você defina uma linha de produtos a ser seguida e assim você conseguirá ganhar a atenção do seu público alvo e criar uma identidade para o seu negócio.

Pesquisa de fornecedores

Após definir nicho e produto, você precisará encontrar bons fornecedores que possam entregar o produto que você deseja vender com bom preço, prazo e qualidade.

Essa etapa da pesquisa deve ser minuciosa e não deve ser feita com pressa ou ansiedade.

Selecione fornecedores nacionais e internacionais, se for o caso e procure conversar com todos que interessarem ao seu negócio.

Verifique a reputação em sites como o Reclame Aqui, consulte CNPJ, endereço, telefone, redes sociais e, se possível, solicite amostras ou a visita de um representante.

Na própria internet é possível encontrar fornecedores de roupas, calçados, eletrônicos, semijoias e folheados no atacado.

Pesquisa de concorrência

Após conhecer o nicho, o produto e definir quem são os possíveis fornecedores, é de suma importância que você saiba com quem você vai competir.

Há segmentos em que é possível competir usando marcas próprias e publicidade acessível, em outros, o mercado já é muito mais restrito.

Um exemplo comum é o mercado de calçados esportivos.

Atualmente, com lojas como a NetShoes no mercado, não é fácil concorrer no segmento de tênis de marca, por exemplo.

Além de terem centros de distribuição próprios que fazem com que os prazos de entrega sejam mais curtos e o custo de frete mais baixo, a marca já é muito forte, o que gera confiança e faz com que as pessoas aceitem pagar um pouco mais pela garantia da entrega.

Outros fatores muito relevantes estão relacionados às promoções e formas de pagamento, quase imbatíveis por um pequeno negócio.

Estudar os concorrentes antes mesmo de iniciar o negócio é importantíssimo para que se saiba se será possível concorrer e qual será a estratégia para sobreviver à disputa pelos clientes.

Segunda Etapa: Análise de viabilidade econômica

Recapitulando: Até aqui, você já deve ter realizado:

· Escolha de nicho;

· Escolha de produto;

· Pesquisa de mercado;

· Pesquisa de concorrência.

Agora é hora de realizar uma análise de viabilidade econômica e descobrir quais serão os:

· Custos para criação de loja virtual

· Custos iniciais de estoque

· Custos iniciais de insumos para operação

· Custos relativos à marca e marketing

Terceira etapa: Organização estratégica

Após realizar o levantamento de todos os custos que você terá, é preciso realizar a definição estratégica.

De onde virá o capital inicial para o seu negócio?

Algumas fontes comuns são: empréstimo, venda de imóvel ou veículo, verbas rescisórias, FGTS, reservas financeiras, entre outras.

É muito importante saber se você precisará realizar o pagamento de alguma parcela sobre esse investimento, ou seja: no caso de você realizar um empréstimo, precisará contar com uma forma de pagamento dessas prestações e, por enquanto, o negócio não pode lhe oferecer garantia sobre isso.

Caso a escolha seja investir um valor único, como o valor da venda de um carro, você precisa ter em mente que o negócio pode precisar de outras injeções de capital até que consiga dar um retorno capaz de satisfazer as próprias obrigações e se tornar lucrativo.

Um dos erros mais comuns de um empreendedor é iniciar sem capital de giro, acreditando que o próprio negócio será capaz de se sustentar no primeiro ano. Muitas vezes, a realidade é diferente e são necessários aportes para dar fôlego e sobrevivência durante algum tempo, até que o empreendimento consiga gerar a própria receita.

Tendo tudo isso em mente, a próxima etapa é pensar sobre as vendas:

Quarta etapa: Marketing e Vendas

Vender na Web é muito diferente de vender nas ruas ou em um Shopping pois as pessoas não passarão na frente do seu e-commerce.

Para aparecer, você precisará contratar uma agência de marketing digital, fazer SEO e trabalhar fortemente nas mídias digitais.

A princípio, os custos podem ser bastante elevados e é por isso que muita gente opta por procurar dicas de marketing digital na internet, a fim de tentar aprender sobre o assunto e poder realizar a própria estratégia.

É perfeitamente possível aprender a fazer o trabalho sozinho, porém isso leva tempo e se não estiver previsto na sua estratégia, você poderá ter outros problemas como obsolência de estoque e custos fixos se tornando prejuízo. Avaliar tudo isso é de suma importância para tomar decisões acertadas na sua loja virtual.

Agora que você tem uma base dos passos que precisará seguir, dê início às pesquisas e você perceberá que a cada etapa iniciada, novas tarefas serão necessárias.

Fazer com que seu negócio dê certo não é uma missão simples, mas realizar o trabalho de forma paciente e responsável é um diferencial para que os resultados desejados sejam alcançados.

Sucesso.

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*Todo o conteúdo contido neste artigo é de responsabilidade de seu autor, não passa por filtros e não reflete necessariamente a posição editorial do Portogente.

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