publicado originalmente no Blog da Ilca Maria Estevão no site metropoles.com

Por muitas décadas, a tradição norteou a moda, mas é justamente esse pilar que deverá ficar para trás se as marcas quiserem crescer neste ano. Segundo o The State of Fashion 2019, relatório anual elaborado pela McKinsey & Company, os próximos meses irão demandar um despertar nas grifes do segmento têxtil, pois algumas das regras antigas simplesmente não funcionam mais.

De acordo com a respeitada empresa de consultoria, independentemente do tamanho, as etiquetas precisarão colocar a agilidade em primeiro plano e priorizar as plataformas digitais. Além disso, será necessário assumir novas posturas sociais e satisfazer as demandas dos consumidores por transparência e sustentabilidade.

A realidade é que os millennials estão ditando as regras da moda e as labels mais antigas precisam se reformular para atender os desejos dessa geração.

Enquanto em 2018 a previsão de crescimento para o mercado têxtil ficou entre 4% e 5%, neste ano a aposta é um pouco mais tímida: de 3,5% a 4,5%. A maioria dos executivos está pessimista devido às mudanças nas relações comerciais globais, mas há quem encontre esperança no mercado de luxo, que deve ganhar força na Ásia.

Espera-se que a China ultrapasse os EUA como o maior mercado de moda do mundo, mesmo com a política fiscal expansiva de Trump. As 20 maiores empresas do setor ainda respondem por 97% do lucro, ao passo que as marcas de capital aberto lutam para criar qualquer valor econômico. “Os prêmios para aqueles que conseguirem se adaptar podem ser maiores do que nunca, mas as penalidades para aqueles que fracassarem serão fatais”, escreveu a companhia.

O The State of Fashion 2019 listou as 10 tendências que irão definir o mercado da moda neste ano.

1. Cautela

70% dos entrevistados pela empresa de consultoria estavam preocupados com a perspectiva macroeconômica global em 2019. Com uma previsão de crescimento mais tímida, 2019 será um ano de prudência. A queda nos principais indicadores econômicos e a desaceleração do mercado irão redobrar o cuidado dos investidores. Para compensar esse cenário, as empresas buscarão oportunidades para aumentar a produtividade.

2. Ascensão indiana

A China deverá ultrapassar os Estados Unidos como o maior mercado da moda neste ano, mas não será o único país asiático a chamar atenção da indústria têxtil. Graças ao fortalecimento da classe média e do setor manufatureiro, a Índia receberá grandes investimentos em 2019.

3. Relações comerciais

De acordo com 62% dos empresários que responderam a pesquisa, mudanças na política comercial representarão riscos potenciais para o crescimento econômico global. Todas as empresas precisarão preparar planos de contingência para enfrentar uma potencial mudança nas relações comerciais ao redor do globo. Os negócios relacionados ao vestuário poderão ser reformulados por novas barreiras e tensões econômicas, mas oportunidades de crescimento devem surgir com a abertura do mercado sul-africano.

4. Desapego

Segundo 44% dos entrevistados, os modelos de negócios voltados à locação serão mais relevantes em 2019. A vida útil das roupas e acessórios está se tornando mais volátil à medida que os negócios de locação e produtos usados continuam a evoluir. Os empresários da moda devem investir mais nesse nicho para ter acesso aos consumidores que buscam acessibilidade e sustentabilidade.

5. Atenção às causas ambientais e sociais

A paixão dos mais jovens por causas sociais e ambientais prejudicou várias marcas em 2018, e para este ano a tendência é que essa preferência cresça. As empresas devem dar mais atenção a esse fator para manter seus antigos consumidores e conseguir outros novos.

6. Agora ou nunca

Clientes da Amazon nos EUA já recebem suas encomendas em 24 horas. Com o crescimento do e-commerce, a lacuna entre a descoberta e a compra tornou-se um ponto problemático para o consumidor de moda mais impaciente, que procura adquirir os produtos de forma imediata. As marcas vão investir em prazos mais curtos e mais disponibilidade de itens anunciados.

7. Transparência

Para 65% dos entrevistados pela McKinsey & Company, a confiança é fator decisivo na hora da compra. Até então, as companhias restringiam seus dados aos departamentos internos e empresas terceirizadas, mas o consumidor ficou mais desconfiado e passou a exigir transparência. Para que as marcas reconquistem a confiança de seus clientes, elas precisarão expor informações ligadas a custo-benefício, integridade criativa e responsabilidade social.

8. Mudanças no DNA

Esta é a tendência mais bem posicionada entre os executivos de moda. Marcas tradicionais estão começando a alterar seus modelos de negócios e imagem em resposta às demandas da nova geração, que cada vez mais deixa o tradicional de lado para buscar as novidades. A regra é clara: quem não muda fica para trás.

9. Exploração das plataformas digitais

A disputa pelo comércio digital vai se intensificar neste ano. Marcas devem investir cada vez mais no e-commerce, e novas plataformas de consumo on-line devem ser criadas. O Instagram, por exemplo, prepara-se para lançar seu aplicativo de compras. Pontos físicos passarão a servir como posicionamento de marca e canais de experiência com os clientes.

10. Sob demanda

A automação de dados permitiu que as marcas atinjam uma produção ágil sob encomenda, assim reduzindo a perda de produtos e o estoque excessivo. Essa possibilidade dá ao mercado a chance de responder mais rapidamente às tendências.

Fonte: Metropoles.com

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