Mielopatia é um termo que denomina lesões na medula espinhal, dos seus envoltórios e raízes motoras ou sensitivas por razões não traumáticas.

Existem várias causas que podem levar à mielopatia e opções de tratamento para que o paciente não sofra com as consequências da patologia.

Sintomas da Mielopatia

Dentre os sintomas mais comuns de mielopatia, destacam-se:

● Dores na nuca ou região do pescoço (mielopatia cervical);
● Dores nas pernas;
● Dores nos braços;
● Enfraquecimento da musculatura na região;
● Dificuldades de caminhar;
● Dificuldade de reter a urina;
● Dificuldade de início de micção;
● Sensação de choque ou formigamento que irradia para os membros;
● Tontura;
● Dificuldade em realizar movimento motor fino (como escrever ou abotoar uma camisa).

Os sintomas dependem do grau de evolução da doença e do grau de comprometimento da medula.

Causas de Mielopatia

As causas podem ser diversas. Em um estudo realizado por Brito & Nóbrega, em 2003 [1], no qual 97 casos de mielopatia foram analisados, a causa da mielopatia foi desconhecida em 34% dos casos.

Lesões compressivas responderam a 15% dos casos e mielite transversa 43% dos casos. Mas diversas outras afecções podem estar envolvidas no desenvolvimento de mielopatias, tais como deficiência de vitamina B12, infecção por HTLV-1, cisticercose, tumores benignos, infecção por Schistosoma mansoni, espondilose cervical, esclerose lateral amiotrófica (ELA) dentre outras causas.

No caso da espondilose cervical, causadora da mielopatia espondilótica cervical, é a causa mais comum de disfunção medular adquirida em indivíduos com mais de 55 anos, portanto, indivíduos nessa faixa de idade que apresentam espondilose cervical podem ser grupos de risco para mielopatias cervicais.

Deslizamentos ou degeneração dos discos vertebrais também representam causas frequentes.

Tipos de Mielopatia

Dependendo da região da medula na qual ocorre a mielopatia, pode-se dividir a mielopatia em alguns tipos.

1 - Mielopatia Cervical

Ocorre na região do pescoço, ou seja, região cervical da coluna. Geralmente, os sintomas também afetam a região da nuca, pescoço, braços e mãos. É o tipo mais comum de mielopatia.

Pode se apresentar com quadro de dor, seguido por longos períodos de estabilidade e depois voltar a se manifestar com quadro doloroso.

2 - Mielopatia Torácica

Resulta na compressão ou alteração da medula espinhal na região torácica do organismo.

Geralmente, estão associadas à hérnia de disco.

3 - Mielopatia Lombar

É um tipo raro, mas pode acontecer em alguns casos, se a medula espinhal estiver baixa. O mais comum é atingir a região lombossacral ou transição dorso lombar.

4- Mielopatia Aguda

Os casos agudos de mielopatia estão, geralmente, associados a processos inflamatórios e infecciosos ou infecções parasitárias.

Espondiloartrose também está ligada ao desenvolvimento de quadros de mielopatia.

Evoluções agudas ou quadros subagudos podem ocorrer em casos de mielopatia crônica, dependendo do quadro do paciente.

De maneira geral, as lesões na coluna podem ter desenvolvimento agudo (em até 14 dias), subagudo (em até 30 dias) ou crônico/lento (em mais de 30 dias).

5 - Mielopatia Crônica ou Lenta

Demora algum tempo para que a doença se manifeste e, geralmente, está ligada ao processo de envelhecimento ou outras patologias na coluna.

Fatores autoimunes podem estar presentes, bem como infestação por Schistosoma mansoni.

Geralmente, casos crônicos estão mais associados a processos degenerativos ou hereditários.

Diagnóstico de Mielopatia

O diagnóstico de mielopatia é feito por um especialista, capaz de avaliar o resultado de um exame neurológico simples, que irá demonstrar perda de força muscular e alteração da sensibilidade térmica e em relação à dor.

Além do exame neurológico, é necessária uma ressonância magnética, que irá demonstrar compressão medular. Uma radiografia simples também demonstrará o grau de alinhamento da coluna.

Uma tomografia computadorizada também pode ser solicitada para verificar a presença de calcificações na coluna.

Exames de sangue são importantes para diagnóstico diferencial de mieloma múltiplo e leucemia em alguns casos, bem como avaliação de infecção por Schistosoma mansoni em regiões endêmicas da doença.

Fatores de Risco

Algumas situações podem aumentar o risco do paciente desenvolver mielopatias. Elas são:

● Histórico de problemas na coluna;
● Doenças vasculares;
● Doenças degenerativas, como artrite reumatoide;
● Trabalhos que exigem muito da coluna, com movimentos repetitivos e com carga;
● Outras doenças preexistentes.

Tratamento

Caso a mielopatia não apresente sintomas neurológicos marcantes, o tratamento conservador está indicado.

No tratamento conservador, a fisioterapia auxiliará o paciente, entre em contato com o ITC Vertebral.

O tratamento conservador deve ser sempre a primeira opção para o tratamento em casos de mielopatias, uma vez que com o realinhamento postural, há também ações específicas para diminuição do quadro de dor.

Além disso, técnicas descompressivas não cirúrgicas podem ser realizadas sob supervisão de um profissional de fisioterapia.

Pacientes com alto risco cirúrgico também não têm indicação cirúrgica.

O que se estabelece é que pacientes com quadros moderados podem ser tratados de maneira conservadora, ao contrário de pacientes com progressão severa dos sintomas neurológicos, que devem ser considerados para cirurgia. Após a cirurgia, a fisioterapia também é necessária.

Por outro lado, caso o paciente apresente apenas alteração da imagem na ressonância ou tomografia, porém sem sinais neurológicos presentes, a cirurgia não está indicada.

Referências

[1] Brito, JCF; Nóbrega, PV. Mielopatias: considerações clínicas e aspectos etiológicos. Arquivos
de Neuro-Psiquiatria, v.61, n.3, p.816-821, 2003.

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