Na nova realidade do comércio marítimo, o porto digital e sua comunidade portuária precisam chegar a um acordo geral sobre o seu Modelo de Operação Logística.

Parece que o caso mais judicializado da história do Porto de Santos (SP) volta à baila, já neste início de ano. A área onde operava, até meados do ano passado, a Libra Terminais, está sendo disputada por interesses e atividades distintos. Sua situação estuarina privilegiada, seu papel logístico e localização junto a denso espaço urbano da cidade atrelam variáveis relevantes ao processo de decisão da futura atividade desse polêmico terminal.

600 Porto Santos

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Ministro Moro e a dívida da Libra com o Porto de Santos

O projeto de implantação de um terminal de celulose, na área, já foi anunciado pela Autoridade Portuária, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). A publicação dos respectivos editais para realização dos leilões é esperada para este trimestre. Tal decisão tem o aval da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), que promoveu reunião da qual participou representante do Ministério da Infraestrutura. Trata-se de infraestrutura portuária com significativo peso na produtividade do negócio portuário nacional.

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Todavia, o processo que está definindo a utilização da antiga área da Libra no Porto de Santos não se traduz por um planejamento estratégico compatível com o principal porto do Hemisfério Sul. E ainda no qual pouca ou nenhuma participação efetiva da sua comunidade ocorreu. Simplesmente o negócio do porto, como um todo e holisticamente, está sendo reduzido a uma decisão governamental, que até pode ser acertada.

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Historicamente, o papel de um porto varia em função de múltiplos fatores, principalmente os relacionados ao desenvolvimento da sociedade e da tecnologia. Portanto, nessa atividade, na qual prevalecem a competitividade e a produtividade, não são adequadas decisões governamentais centralizadas. Como bem demonstram, sem exceção, os portos líderes mundiais.

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Em 2018, a Polícia Federal solicitou a prisão temporária dos Torrealba, proprietários do Grupo Libra e da diretoria da Autoridade Portuária de Santos. Desde então, a corrupção na dragagem do porto, revelada pelo Portogente, permanece abafada. Até agora, no entanto, o processo de decisão no Porto de Santos continua seguindo os mesmos caminhos. É preciso mudar.

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website

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