Nesta segunda-feira (3), tem início as obras para ampliação do Canal do Panamá, que liga os oceanos Pacífico e Atlântico. Um projeto ambicioso de 5,25 bilhões de dólares. Ele vai duplicar a capacidade dessa importante via para o comércio marítimo.

 

Essa maravilha da engenharia do mundo iniciou suas operações em 1914. Tem 80 quilômetros. E recebe 5% do tráfego mundial de embarcações. A primeira etapa da expansão do canal deve estar concluída em 2010. O projeto completo deverá ser realizado até 2014. As benesses chegarão ao Brasil. As empresas brasileiras que exportam poderão distribuir suas mercadorias mais facilmente para o leste do continente americano. E aproximará ainda mais a Ásia do Leste e o Brasil.


Convenhamos que para enfrentar essa realidade é imperativo também começar sem demora a discutir os reflexos de tão grandiosa obra nos hoje engargalados portos brasileiros (poderia ser esse um dos assuntos que o ministro Pedro Brito poderia levantar em reunião que mantém, nesta segunda-feira (3), às 12h30, com o presidente Lula).

 

Por outro lado, pensar uma ligação seca do Brasil com o Pacífico e que possa concorrer com o Canal do Panamá, é uma maneira adequada de estabelecer uma estratégia competitiva principalmente para os nossos produtos de exportação.


Sem sombra de dúvida: a intensificação do fluxo de mercadorias advindo do aumento da capacidade de navegação entre os dois mais importantes oceanos do mundo vai demandar muito mais ações (das nossas autoridades) do que apenas aumentar a profundidade dos nossos portos. Isto é prioritário. Mas não é suficiente para anular a ameaça de graves congestionamentos na circulação de cargas pelos portos. Por exemplo, torna mais urgente a implantação de estruturas de portos concentradores (hub ports), para atender às novas gerações de navios porta-contêineres e graneleiros.


Preocupa o fato de que os portos brasileiros poderão ainda não ter concluído uma etapa, a de resolver seus problemas de falta de infra-estrutura e, no prazo previsto para superar essa questão, terão de se deparar com uma nova  realidade para a qual suas estruturas estarão (ou continuarão) deficitárias.

 

Enfrentar esse desafio começa por repensar o loteamento político dos cargos de direção dos portos. A Nova Economia vai exigir que as Autoridades Portuárias sejam capacitadas técnica e gerencialmente. Para conseguir a integração funcional à economia mundial é necessário ter condição de desempenhar e organizar atividades internacionalizadas. Pois, as leis da gravidade dessa Nova Economia irão determinar os fluxos de empregos.

 

Para participar desse bolo é preciso muito mais do que discursos e promessas. É preciso ação.

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website

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