Já está mais do que na hora de se fazer da cabotagem no Brasil uma realidade compatível com a nossa dimensão continental. Um país com extensão de costa com quase 8.000km, e que considerando suas reentrâncias alcança 9.200km, poderá ligar seus extremos norte e sul distantes quase 7.500km, extensão hoje percorrida principalmente pelo transporte rodoviário, com um ganho de produtividade logística admirável pela navegação.

Com berço português de uma escola da navegação histórica e referencial, nós, que já tivemos uma das marinhas mais fortes do mundo, porque nossa cabotagem não navega com máxima produtividade e não está integrada, potencializando o transporte terrestre, para promover o fluxo de produtos e serviços entre as diversas regiões do Brasil? Podemos afirmar que não nos falta motivo para construir uma base mais forte na navegação costeira para o nosso comércio internacional. Todavia, não são poucas as razões do atraso da nossa cabotagem.

Por sua capacidade de transportar grandes volumes deslocando-se a grande distâncias, a cabotagem é importante para criar demanda e melhorar a nossa rede de transporte terrestre, com ganhos em escala e de economia, com aumento de participação dos modais. Com característica multimodal, a cabotagem exige pontas rodoviárias e, eventualmente, a ferroviária. Os dois transbordos exigem operações portuárias de carregamento e descarregamento das embarcações com uma perfeita integração dos meios de transporte. Em última instância, estamos falando de aumento da produção e aquecimento da economia.

Em sua entrevista ao WebSummit 2017 Portogente, o presidente da Usuport-RJ, André de Seixas, aponta problemas que são inexplicáveis, mas reais e urgentes, como entrave para implantação de uma cabotagem com técnicas e estratégias para aumentar a qualidade e a produtividade do nosso comércio.

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Diante dessa resistência e da necessidade urgente da recuperação econômica do Brasil, é importante focar com entusiasmo no horizonte da navegação e viabilizar uma cabotagem competitiva. Estamos falando de uma oportunidade atrativa, tendo em vista o cenário internacional de investimentos e o desenvolvimento de novas regiões produtivas no norte do Brasil. Como solução concreta, trata-se de reverter um atraso quase centenário da nossa navegação costeira. Pois bem, o presidente da Usuport-RJ está dando o seu recado. Convém ouvi-lo. Seria um gesto de que o País não pactua mais com irresponsabilidade, nem tampouco despreza as vozes dos setores com experiência e envolvidos n a atividade do transporte aquaviário. A cabotagem é urgente para o Brasil.

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website

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