Após quatro anos de debates, a Agenda Ambiental do Porto de Santos finalmente será formulada pela equipe da Universidade Católica de Santos (UniSantos) e entregue às mãos da direção da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). A festa de encerramento será realizada no próximo dia 31, onde 16 propostas colhidas estarão dispostas na mesa para a redação final. A maior luta dos organizadores, entretanto, ainda estará por vir: fazer com que a docas santista não engavete o trabalho e aproveite pouco ou nada do que foi discutido.

 

Desde o início, representantes da Codesp participaram das discussões sobre os mais diversos assuntos ligados à atividade portuária e à preservação do meio ambiente. Contudo, não há nenhuma obrigatoriedade da estatal em aplicar ou mesmo considerar as propostas que foram expostas nas palestras abertas ao público e em reuniões fechadas, no início dos trabalhos.

 

E como a novela da troca dos diretores da estatal está mais arrastada do que folhetim mexicano – há oito meses pipocam nomes, mas nada acontece de prático -, será difícil aguardar a posse da nova equipe da Codesp para, então, finalizar a Agenda Ambiental. Resta torcer para que o bom senso prevaleça e o meio ambiente seja levado em conta na hora de discutir o futuro do cais santista.

 

E para encerrar o ciclo de debates, na última sexta-feira, a professora da USP Yara Novelli tocou em um assunto polêmico: a situação ambiental das áreas mais próximas aos terminais portuários e como isso muda a vida dos vizinhos do porto. Um dos exemplos usados foi o próprio estuário santista, encaixotado por grandes armazéns e pátios de contêineres, piorando a qualidade de vida das pessoas da região.

 

“Hoje em dia, um grande erro de muita gente é achar que o progresso não pode vir associado ao meio ambiente, que um acaba se tornando inimigo do outro e a sociedade tem que optar entre preservação ou desenvolvimento indiscriminado. As grandes empresas, conscientes, levam esses dois lemas juntos, buscando o lucro sem esquecer o futuro do planeta. Mas aqui isso não é difundido”.

 

Uma das questões polêmicas levantadas foi a instalação do Terminal da Embraport, que vai consumir uma área verde de 800 mil metros quadrados e extinguir a pesca artesanal como fonte de renda para os moradores da Ilha Diana, um pedaço de terra que pertence a Santos e abriga, hoje, pouco mais de 50 famílias.

 

“Em minha opinião, pois não estou falando em nome do Instituto, o Terminal da Embraport é extremamente atacado pelos ambientalistas e por todo o impacto que o aterramento daquela área vai causar, mas se nada fosse feito agora, daqui a alguns anos, veríamos famílias construindo barracos naquela região e inutilizando aquela área toda, justamente em um momento onde o Porto de Santos busca rotas para expansão. Ou seja, teríamos problemas do mesmo jeito”, destacou Angélica Alabarce, funcionária do Ibama.

 

Essa defesa do empreendimento fez com que Yara destacasse outro ponto, que serviu como deixa para o encerramento das discussões da Agenda Ambiental e um alerta para os ambientalistas. “Aquela história de defender o verde porque uso uma camisa do Greenpeace e lutar contra tudo não cola mais. As pessoas têm que ser realistas e defender ou atacar com base, com estudos embaixo do braço. Assim, a discussão melhora e soluções inteligentes podem ser encontradas”.

 

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