O polêmico projeto Porto Brasil, do empresário Eike Batista, já era de conhecimento do chefe de gabinete da Prefeitura de Peruíbe, José Carlos Rubia de Barros, desde o começo do ano. Mas a proposta do empresário carioca, em construir um porto na pacata cidade do Litoral Sul de São Paulo, chegou ao conhecimento público com todos os seus detalhes só em outubro último. E causou uma verdadeira avalanche de críticas por parte de alguns ambientalistas, que ameaçam entrar na justiça para impedir o início das obras. A prefeitura da cidade reage: “o pessoal está falando muito de orelhada, tem ONG que está contra o Porto Brasil e nem sabe por quais motivos”, critica Barros.

 

O projeto Porto Brasil tem orçamento estimado em R$ 5 bilhões e pretensão de movimentar 50 milhões de toneladas de cargas por ano. Nesta entrevista ao PortoGente, o chefe de gabinete da prefeitura de Peruíbe fala porque a administração municipal defende o projeto.

 

PortoGente: Por que a Prefeitura apóia a construção do Porto Brasil?

Barros: Eu vejo que esse Porto Brasil poderia baratear custos de importação e exportação de vários produtos, pois serviria, entre outras coisas, para minimizar os custos tanto para os empresários de Peruíbe quanto para os armadores do Porto de Santos. Além disso, podemos destacar a questão social, pois o novo porto só traria benefícios. O prefeito José Roberto Preto foi consultado pela empresa, apoiou o projeto e agora somos parceiros nessa empreitada. Outro ponto positivo é que o Litoral Sul é carente em investimentos até hoje, cenário que mudaria radicalmente com o Porto Brasil.

 

PortoGente: Quais benefícios esse porto traria para a Cidade?

Barros: Sem dúvida, traria mais emprego e qualidade de vida para a população, teríamos um aumento maciço de investimentos, enfim, poderíamos planejar melhor o crescimento de Peruíbe para os próximos anos. Fomos procurados pelo grupo EBX anteriormente, mas no começo até não estávamos acreditando nessa história, parecia o canto da sereia. A partir daí, tomamos consciência da grandiosidade da coisa e soubemos que eles já haviam feito o negócio e comprado todo o terreno do Leão Novaes.

 

PortoGente: Vocês têm idéia do que seria necessário investir para receber o porto?

Barros: Olha, tivemos a felicidade de, antes dessa história toda de porto sair na mídia, já termos aprovado o nosso novo plano diretor, que tem um artigo que deixa bem clara a necessidade de operações urbanas a cada grande investimento que chega à cidade. Nesse caso da EBX, conversaremos com a empresa, com o governo estadual e federal, para que tudo seja planejado. Sabemos que o número de pessoas em Peruíbe deve subir, por isso precisaremos planejar saúde, educação, segurança.

 

PortoGente: E as autoridades das cidades vizinhas estão apoiando o projeto?

Barros: Sim, inclusive soube pela imprensa que a Câmara dos Vereadores de Itanhaém fez uma moção de apoio ao projeto, enviou esse documento à Prefeitura de Peruíbe, ao pessoal da EBX no Rio de Janeiro. Sabemos que os comerciantes torcem muito pelo projeto, que os trabalhadores aguardam por mais empregos. Eu, por exemplo, tenho uma filha que acorda todos os dias às 5h30 para poder trabalhar na área dela, justamente no Porto de Santos. Se tivermos o Porto Brasil, muita gente que tem rotina igual poderá ganhar um bom salário sem sair daqui.

 

PortoGente: Como a prefeitura está lidando com quem está contra o Porto Brasil?

Barros: O pessoal está falando muito de orelhada, tem muita ONG que está contra o porto e nem sabe por quais motivos. Eles acham que o meio ambiente será degradado, mas sabemos que o processo para aprovação no Ibama não será fácil. O que for decidido pelas autoridades, com certeza será cumprido, pois a empresa nos garantiu que não poupará esforços para garantir a viabilidade ambiental do projeto. Mas essa manifestação já era esperada, pois o grupo EBX passou pelos mesmos problemas para construir o Porto Açú, no Rio de Janeiro, e um outro terminal no Amapá.

 

PortoGente: A prefeitura conversou com esses ambientalistas?

Barros: Não conversou porque não foi procurada em momento algum por eles. Tem um integrante de uma ONG, inclusive, que deu uma entrevista para uma emissora de TV dizendo que na área destinada ao Porto Brasil, há 500 pescadores que serão prejudicados com qualquer obra, sendo que isso é uma grande mentira, não há pescadores na região portuária e só reconhecemos os índios ali residentes como um eventual empecilho. Então, você vê as pessoas falando um monte de mentiras e muitas vezes não há uma triagem por parte da mídia, mas vamos lidando com isso. (clique aqui para conferir a reportagem da Record News, que gerou esse comentário por parte do chefe de gabinete da Prefeitura de Peruíbe)

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