“A empresa MMX está gerando uma série de expectativas falsas sobre empregos e recusa-se a obedecer a lei, conversando com nativos e enfrentando diversos problemas com o Ministério Público por causa disso”. A frase do ambientalista paraense e diretor do instituto de defesa do meio ambiente Peabiru, João Meirelles, parece retirada de algum texto publicado pelo PortoGente nos últimos meses a respeito do Porto Brasil, em Peruíbe. Entretanto, ela retrata os problemas vividos pela MMX no Pará.

 

Pelo visto, a sina das empresas de Eike Batista é sofrer com entraves ambientais para dar andamento às suas obras. No Pará, o Ministério Público Federal (MPF) está de olho na MMX, que ousou ao querer implantar o primeiro porto flutuante do País, na Ponta da Tijoca, em Curuçá, nordeste paraense. A MMX tem como pretensão trazer o minério de ferro extraído no Amapá em comboios de barcaças pelas águas paraenses, para posterior embarque em um navio rumo ao exterior.

 

O problema, assim como em Peruíbe, é a delicada situação da área escolhida para o projeto. Fica dentro de uma Reserva Extrativista Marinha com 37 mil hectares e 4 mil usuários cadastrados, em uma área de manguezais que são considerados por pesquisadores como um dos mais importantes e complexos ecossistemas desse tipo no mundo. Por isso, o MPF recebeu mais de quatro mil assinaturas de moradores preocupados com o projeto.

 

“Pelo que a gente sabe, os navios deveriam chegar perto do Amapá, onde o minério será extraído. Mas como isso não é possível, tiveram a idéia de armar um porto flutuante no Pará, mas escolheram o local errado. Eles acharam que não precisavam de Eia/Rima para nada, já foram na comunidade que mora pertinho da região, fizeram propostas para os moradores”, reclama o ambientalista Meirelles.

 

Assim como em Peruíbe, a MMX alega que já está com tudo em ordem para a utilização do terreno do Pará. A região foi escolhida pela empresa por possuir um canal natural de mais de 25 metros de profundidade, onde ficará fundeado permanentemente um navio plataforma com três guindastes. Na estação será feito o transbordo do ferro de barcaças para navios com capacidade para 150 mil toneladas.

 

Números

Hoje, a cidade paraense de Curuçá tem 22 mil habitantes e mais de 300 anos de fundação. Com o projeto da MMX, surgirão pelo menos 80 empregos diretos. A expectativa da empresa de Eike Batista é priorizar a contratação de 60% da mão de obra necessária para colocar o porto fluvial em funcionamento entre os que moram em Curuçá. O porto vai exportar mensalmente 600 mil toneladas de minério de ferro.

 

“Agora é esperar os próximos passos do MPF, pois temos os maiores manguezais da Terra por aqui. Não podemos destruir tudo em nome do progresso. Não sou contra o porto fluvial, desde que feito com responsabilidade. Nesse caso, o MPF prova que faltam laudos, muitos documentos”, encerra João Meirelles.

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