Um número divulgado nesta semana pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) chamou a atenção de quem luta pela preservação ambiental e mostra que é possível, sim, conciliar desenvolvimento e cuidado com a natureza. A emissão de poeira e fumaça por parte das indústrias que fazem parte do Pólo Industrial de Cubatão caiu 98% nos últimos 25 anos.

 

No momento em que a expansão portuária toma conta das principais mesas de discussão, justamente por causa da utilização de várias áreas consideradas de preservação ambiental – vide como exemplo o Porto Brasil, em Peruíbe –, este número mostra também que o Poder Público, quando interessado em cuidar do meio ambiente, consegue aplicar políticas eficazes.

 

A emissão de poluentes abordada no estudo é documentada desde 1983, quando foi iniciado o Programa de Controle da Poluição Ambiental no município. E nos últimos 10 anos, mesmo com a diminuição da poluição, as empresas de Cubatão tiveram um aumento de 39% em sua produção. Há uma explicação plausível para esse fenômeno? Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, sim.

 

“As empresas investiram mais de US$ 1 bilhão em programas ambientais nos últimos 25 anos e o resultado apresentado agora nos traz a certeza de que é possível harmonizar aumento de produtividade e melhoria ambiental. No momento, constatamos bons resultados desta aliança entre sociedade, lideranças do município e setor produtivo, trazendo benefícios concretos que atingem a todos”.

 

Para o secretário de Meio Ambiente de São Paulo, Francisco Graziano, o resultado do estudo da Fiesp põe fim ao achismo de muitos sobre a real qualidade do ar de Cubatão. “Podemos comprovar que o ar respirado em Cubatão é melhor que o de São Paulo. Mas, os desafios nunca acabam. Superado o problema de poluição, surge agora uma nova agenda, que é o aquecimento global. Esse tema já está sendo trabalhado de forma conjunta entre a Fiesp e o Governo”, disse Graziano.

 

O estudo sobre a qualidade do ar de Cubatão foi elaborado pelo engenheiro e consultor ambiental Eduardo San Martín. O texto traz, pela primeira vez, uma demonstração numérica das melhorias ambientais alcançadas pelo Pólo Industrial. Os resultados comprovam drástica redução nas emissões atmosféricas, no lançamento de efluentes líquidos, na captação de água, na geração de resíduos sólidos e na quantidade de resíduos incinerados ou depositados em aterros.

 

“Que fique a lição para todos de que é possível sim mudar um cenário, por pior que ele seja. Cubatão conseguiu e tem de ser olhado como um exemplo por outros estados e países”, destacou o prefeito Clermont Silveira Castor. PortoGente espera que o estudo da Fiesp sirva de exemplo para outras autoridades, fazendo a cadeia logística brasileira ser um exemplo desde a produção até a movimentação de cargas, nos portos espalhados pelo País.

 

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