O professor Antonio Galvão Novaes, um dos maiores consultores em Transportes e Logística do país, concedeu entrevista, via internet, ao Portogente.

 

Antonio Galvão Novaes, 69, é professor-titular de Transportes e Logística no Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Paulistano, casado, pai de três filhas, graduou-se em engenharia naval, área que considerava bastante promissora, na época.

 

Na década de 60, trabalhou na Advanced Marine Technology Division, das Indústrias Litton, na Califórnia (Logística Militar). Convidado para lecionar sobre Transportes Marítimos, no Departamento de Engenharia Oceânica da Escola Politécnica da USP, tomou gosto pela área e especializou-se em transportes de uma maneira geral e, por extensão, em logística. O professor Novaes é mestre pelo Massachusetts Institute of Technology, dos Estados Unidos da América.

 

Novaes foi professor-titular e chefe dos Departamentos de Engenharia de Transportes e de Engenharia Naval e Oceânica, da Poli-USP e já dedica 35 anos de sua carreira a Transportes e Logística.

 

Atualmente, além da atividade acadêmica, o professor é consultor de empresas e órgãos governamentais.

 

Portogente – A administração do porto deve ser feita pelo governo federal como ocorre hoje ou deveria ser regional por estado e municípios?
Professor Novaes -
Na minha opinião, o que deve valer é a eficiência e uma visão ampla, abrangente. Se for gerido pelo município ou entidade regional, as políticas locais devem ficar subordinadas a uma visão estratégica, visando o Comércio Internacional e o nível de competição entre países e com outros portos. Há diversos portos no mundo administrados por entidades públicas e que são muito eficientes.

Portogente - O que considera positivo e negativo na lei dos portos em vigor? O senhor vê conflitos com a legislação que criou a Antaq?
Professor Novaes -
Considero um avanço a admissão de terminais privativos, mas, na minha opinião, o porto todo, incluindo serviços, retroporto, etc, deveria ser administrado por uma única entidade (Port Authority). Por que? Porque portos grandes, como Santos, deveriam ser verdadeiras Plataformas Logísticas, avançadas, e, para isso precisam ter uma gestão única, voltada a um mesmo objetivo. Nos nossos portos há inúmeros interesses (corporativos) e isso destrói a característica básica de uma Plataforma Logística eficiente. Quanto à ANTAQ, a principal crítica é que esse princípio acima enunciado já foi quebrado na criação dela e da ANTT, visto que o porto envolve também o transporte terrestre (e muito!)

Portogente - Santos tem nove universidades, o porto e ótimas ligações com o planalto: o que falta para consolidar seu papel de plataforma do negócio portuário?
Professor Novaes - Vide 1 e 2 acima.

Portogente - Qual a prioridade de se desenvolver a ligação ferroviária entre os portos de Santos e de São Sebastião para o escoamento de granéis?
Professor Novaes -
Não acho que São Sebastião deva operar granéis. Na minha opinião, deveria operar contêineres, para cargas de alto valor agregado, trabalhando de forma integrada com os aeroportos de Viracopos e de São José dos Campos, visando principalmente os pólos de ponta da Região de Campinas e do Vale do Paraíba. Seria melhor uma nova rodovia (a rodovia do Sol, do Quércia?), ligando Jacareí a São Sebastião.

Portogente - O que considera o mais importante que aprendeu na vida?
Professor Novaes -
Eu ainda não parei de aprender e acho que o mais importante é o que ainda vou aprender na vida...

Portogente - O que gosta de fazer quando não está dedicado aos seus inúmeros trabalhos e estudos?
Professor Novaes -
Sou um escritor de ficção rejeitado até o momento pelas editoras. Mas continuo me esforçando nisso como hobby.

Portogente - Que conselho o senhor daria a um filho que quisesse trabalhar na área de transportes?
Professor Novaes - Aprender Inglês para valer, se esforçar muito nos estudos, construir seu caminho com tenacidade e trabalhar no exterior por um certo tempo.

Portogente - Como vê o futuro do Brasil?
Professor Novaes -
Muito bom, apesar das trombadas e da dívida pública.

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