Os impactos da expansão do canal do Panamá no setor de navegação

A Cidade do Panamá, banhada pelo mar do Caribe, é um lugar de lindas paisagens naturais e muitas praias, mas é também uma cidade moderna e bem organizada, sendo sede de várias convenções e eventos de caráter global. O esporte, por exemplo, está presente de maneira firme com o beisebol profissional no Rod Carew Stadium e o futebol no Rommel Fernandez Stadium. Mas não só: sendo um destino corriqueiro para turistas, desde 2012 existem anualmente campeonatos de poker sendo realizados na região.

Porém, esta cidade é mesmo conhecida pelo Canal do Panamá, uma das mais interessantes obras do mundo moderno, criada para ligar o Oceano Pacífico com o Oceano Alântico, tornando o transporte entre continentes mais rápido e barato. Para acompanhar a demanda crescente por navios que passam por este porto – que é cada vez maior – o Canal do Panamá passou por uma grande obra de expansão e os especialistas do setor acreditam que os impactos para a economia mundial, principalmente para a economia americana, serão tão grandiosos quando a obra em si.

O Canal do Panamá nasceu da necessidade de se tornar o transporte de cargas da Costa Leste para a oeste mais rápida e barata, já que antes de sua construção a única maneira de se fazer era pelo extremo sul da América, uma viagem de 15 mil quilômetros de distância. Como existe diferença de altitude entre o mar do Caribe e o do Pacífico, o problema foi resolvido através de um sistema de eclusas, que elevam e depois baixam os navios durante a travessia. O Canal foi inaugurado em 1914 e custou, na época, cerca de 360 milhões de dólares.

A maior importância deste canal para o comércio mundial é diminuir o tempo do transporte, o que impacta diretamente no custo dos produtos. Por isso, desde sua inauguração, o Canal passou a ser um dos principais pontos de travessia de navios de carga entre a Ásia e a América. Porém, justamente devido a sua importância para o comércio mundial, o Canal foi obrigado a acompanhar a demanda crescente de navios, as novas necessidades das embarcações e também precisou se tornar mais competitivo em relação ao seu principal concorrente.

Em 2007, o Panamá decidiu começar uma obra de expansão do Canal. A expansão era vital para o porto, que se via diante de um setor onde a demanda por navios cada vez maiores não parava de crescer. Novos navios transportam entre 5 e 8 mil contêineres e alguns até 13 mil. Estes navios precisam de um canal mais lardo e mais profundo (certa de 17 metros de profundidade) e o Canal do Panamá já não lhes servia. Este problema fez com que muitas navegações começassem a não mais passar por esta rota, mas pela rota de seu maior concorrente, o Canal de Suez, no Egito, para onde o Canal do Panamá chegou a perder 15% de sua receita. A solução foi fazer uma obra de expansão para adicionar uma terceira faixa ao canal, mais profunda e mais larga. A gigantesca obra durou 9 anos, custou 5,4 milhões de dólares e voltou a fazer do Canal do Panamá uma rota moderna e competitiva.

O Novo Canal e sua magnitude - O novo Canal do Panamá foi inaugurado em junho de 2016 em meio a uma das maiores crises do setor de navegação, causada pela queda do custo de navegação e do comércio em si (devido a crise mundial). Mesmo assim, a expansão imediatamente trouxe impacto positivo não só para o Canal do Panamá, mas também para o setor de navegação e principalmente para o comércio americano.

A expansão dobrou a capacidade do Canal, que agora pode receber navios de até 14 mil contêineres (antes só recebia de até 5 mil). Isto faz com que esta volte a ser a principal rota para o transporte de grandes navios entre a Asia e a América. Estima-se que depois da expansão 35% do comércio entre os dois continentes passe por esta rota. Na data da inauguração da obra, mais de 130 navios que não passavam pelo Canal estavam com reserva marcada.

Antes da expansão, 20% do comércio entre Ásia e Estados Unidos usava esta rota. Hoje, estima-se que este número aumentou para 75%. A expansão também abrirá o mercado asiático para que os Estados Unidos importem gás natural. O Canal não podia abrigar os gigantescos navios de gás natural e agora isto é possível. A expansão também ajudará a aliviar o congestionamento do Porto de Los Angeles, o porto americano que recebe a maioria do tráfego da Ásia.

No Brasil, a expansão do Canal do Panamá poderá afetar o norte e nordeste do Brasil, devido ao aumento da integração dos portos brasileiros com o novo fluxo de navios. Estas regiões podem se tornar terminais de concentração de cargas vindas dos Estados Unidos e Europa e este fato pode ainda impulsionar a construção de grandes eixos de ferrovias, como as ferrovias Norte-Sul e a Transoceânica.

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