Com edital de concessão prorrogado mais uma vez, agora para o primeiro semestre de 2018, a Ferrovia Norte-Sul (FNS) pode estar com demanda superestimada. Para a consultoria Terrafirma, até 60% dos volumes previstos no estudo da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), feito para balizar a outorga, não devem se concretizar por referirem-se a cargas pouco aderentes à região onde está a ferrovia.

Ferrovia NS

A ANTT prevê demanda inicial de 1,2 milhão de tonelada/ano, que deve chegar 17,1 milhões em 2025 e a 25,8 milhões em 2055. Do total para 2025, 37% serão cargas gerais, 25% granéis agrícolas, 23% granéis sólidos. O restante, 15%, serão granéis líquidos, segundo o cenário conservador de infraestrutura do estudo, que está em discussão em audiências públicas.

Para o sócio e consultor da Terrafirma Júlio Favarin, entre 40% e 60% da previsão da ANTT será desconsiderada nas modelagens econômicas das potenciais concessionárias. “A conta a ser feita vai desprezar as cargas gerais, de cimento e de carvão pela baixa aderência à ferrovia. Estimamos o potencial entre 7 e 10 milhões de toneladas/ano para 2025”, afirma.

Favarin explica que é pouco provável que as cargas gerais, normalmente bens de consumo de alto valor agregado que hoje vão de caminhão em até três dias do Sudeste para o Centro-Oeste e Norte, migrem para a FNS.

Segundo ele, esse tipo de carga é muito pulverizada, de difícil rastreabilidade no modal e incompatível com os tempos da ferrovia. Ainda que seja conteinerizada, a FNS fica a certa distância dos centros urbanos. “Mesmo no Sudeste, onde há capilaridade, os volumes não são significativos”, argumenta.

No caso dos granéis sólidos, como minério, cimento e carvão, cuja demanda potencial é citada com destaque no estudo da ANTT, hoje há grande oferta de cimento “de Goiás para baixo”, área de atendimento da FNS, em decorrência de investimentos recentes das cimenteiras. Essa oferta deve persistir pelos próximos anos, sendo baixo o potencial de aderência à FNS.

O carvão mineral usado pelas cimenteiras goianas não deve entrar pelo porto de Itaqui (MA) e descer pela FNS, como prevê a agência. Esse transporte já é feito de forma eficiente pelo Porto de Tubarão (ES), ferrovia e caminhão. Além disso, o transporte de minério previsto pelo estudo com origem no Pará e destino no Sudeste e Sul também já possui logística estabelecida, diz o consultor.

As demandas para granéis agrícolas e líquidos (combustíveis) devem se concretizar, diz Favarin. Mas há um ponto de atenção no caso dos itens agrícolas com destino ao porto de Santos (grãos) e origem nele (fertilizantes), pois dependem do acesso à Malha Paulista, controlada pela Rumo.

Atualmente, a ANTT negocia com a empresa os termos do direito de passagem da FNS na Malha Paulista. Também analisa a renovação antecipada dessa concessão mediante à realização dos investimentos que a malha precisa para absorver mais carga.

A concessão da FNS ocorrerá no modelo de maior valor de outorga. A ferrovia tem nova previsão de entrega para o primeiro semestre de 2018.

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