Ao longo dos últimos 15 anos, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) foi comandada por indicações políticas feitas por Roberto Requião (MDB) e Beto Richa (PSDB). Algumas dessas indicações contemplaram, inclusive, Eduardo Requião, irmão do ex-governador do Paraná, para a superintendência da Appa, e José Richa Filho, irmão de Beto, para a Secretaria de Infraestrutura e Logística do governo estadual. Os dois grupos políticos alimentaram uma grande rivalidade nas últimas décadas, com direito a diversos ataques.

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Operação de granéis no Porto de Paranaguá - Foto: Ivan Bueno/Appa

O domínio de ambos começou a ruir em março de 2018, quando a vice-governadora, Cida Borghetti (PP), assumiu o controle do governo paranaense, trocando o diretor-superintendente Luiz Henrique Dividino por Lourenço Fregonese, embora os demais profissionais do alto escalão possam ser classificados como "turma do Richa". Uma nova direção, todavia, deverá ser composta pelo governador eleito Ratinho Júnior (PSD) a partir de janeiro de 2019, sem as sombras de Requião e Beto Richa, que fracassaram na busca de uma cadeira no Senado Federal, apenas terceiro e sexto colocados na disputa que elegeu Oriovisto Guimarães (Podemos) e Flavio Arns (Rede).

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Outra carta fora do baralho é Ricardo Barros (PP), casado com Cida Borghetti, ex-deputado federal, ex-secretário da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul do Paraná e ministro da Saúde na gestão de Michel Temer (MDB). As indicações para as empresas públicas ligadas à Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística são historicamente muito concorridas no Paraná, afinal, além da Appa, a pasta controla o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e a Estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferroeste).

O Porto de Paranaguá exerce importante função no escoamento de cargas produzidas, ao menos, em 10 estados, incluindo os vizinhos da região Sul e o Centro-Oeste brasileiro, o coração do agronegócio nacional. Em 2018 o Porto tem batido sucessivos recordes em volume de movimentação.

Próxima gestão - Conforme declarações concedidas à imprensa paranaense, Ratinho Júnior pretende elaborar o projeto básico e os devidos estudos de viabilidade para definição de um modelo de concessão da Ferrovia Corredor de Exportação Oeste-Leste, que ligará Dourados (MS) a Paranaguá. Ele também disse ser favorável à construção do porto privado em Pontal do Paraná, ressaltando que o empreendimento pode se tornar uma "ferramenta importante para o desenvolvimento da região e para a competitividade com portos de outros estados".

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