“Os portos não são melhores ou piores, são apenas diferentes”.

 

Posição estratégica, não restrição de calado, investimento público e privado contínuo, além de porta de entrada para o norte da Europa, fazem do porto de Roterdã, o maior em tonelagem movimentada há 40 anos e um dos principais do velho continente. É o maior porto do mundo em extensão e atende todos os modais de transporte.

 

No entanto, o representante do porto holandês, André Luiz Collacio Lettieri, cônsul da Holanda e Itália, em Santos, afirma que Roterdã não pode ser considerado um hub port, ou seja, um porto concentrador de carga.  “Não é um hub port na essência. É um porto distribuidor. Cerca de 75% da carga que chega a Roterdã, não é destinada ao município”, explica, salientando que a carga não fica parada no porto. “Roterdã tem menos de um milhão de habitantes só que o raio de ação do porto atende uma população de aproximadamente 600 milhões de pessoas”, diz.

 

“No ano passado, 190 mil barcaças transportaram, por rios, contêineres, granel, minérios, gás e petróleo e cerca de 34 mil navios com capacidade acima de 12 mil toneladas. O porto de Santos, o maior da América Latina, movimentou, cerca de 6 mil navios”, compara.

 

Para Lettieri, os portos de Santos (SP) e Rio Grande (RS) têm vocação para tornarem-se hub port. “São dois portos ideais do ponto de vista geográfico”, observa. Ressalta que um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento de um porto, além da parceria entre governo e iniciativa privada é o comprometimento da população. O porto de Roterdã gera cerca de 60 mil empregos diretos e indiretos.

 

O porto de Roterdã é municipal, mas não é administrado pelo governo, é uma empresa privada.“100% das ações são da municipalidade. É gerido por uma comissão de executivos e o prefeito da cidade é um dos membros que dirige o porto”, esclarece, frisando que o porto não é regionalizado.

 

Lettieri afirma que o modelo de administração do porto de Roterdã, não se aplicaria a Santos, que é administrado por uma estatal, mas avalia que pela importância que o porto tem para o município, região da Baixada Santista, estado e para o país, poderia ter uma administração tripartite.    

 

Relação internacional
A Holanda é o quarto país que mais investe no Brasil, de acordo com o cônsul. Um dos motivos se deve ao fato de o país ser geograficamente pequeno com cerca de 16 milhões de habitantes, carecendo assim de área para crescer economicamente. “Os investimentos são de dentro para fora”. Empreendimentos além mar também é uma questão cultural dos holandeses, segundo Lettieri. Adianta que há estudos e negociações voltados para o Brasil, com possibilidades para o segmento siderúrgico.

 

Maasvlakte 2
Com o intuito de manter o porto de Roterdã competitivo com outros portos do mundo foi idealizado o projeto Maasvlakte 2 – terminal de contêineres com pontos petrolíferos -, cuja conclusão foi projetada para 2015. No entanto, Lettieri, afirma que o terminal deve estar concluído em 2012, com capacidade para receber o primeiro navio, já em 2010. O empreendimento será construído em uma área de aproximadamente 2 milhões e 500 mil metros quadrados, que está sendo aterrada no mar do norte, na costa européia. O terminal, que foi idealizado há quatro anos, terá capacidade para movimentar 5 milhões de TEUs por ano. O projeto será financiado pelo governo e iniciativa privada e visa expansão e lucratividade.

 

 

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