O processo de verticalização dos armadores no setor portuário brasileiro é um fator relevante e que precisa ser bem observado pela sociedade. O fenômeno é simples de explicar: armadores estrangeiros compram ou instalam terminais portuários, operadores logísticos, fabricantes de rebocadores, agências de navegação e outras companhias para ter total controle do processo no Brasil. A verticalização bagunça o ambiente concorrencial e, por consequência, prejudica os usuários dos portos brasileiros. Devido à sua relevância, o tema será abordado no WebSummit Portogente 2017, durante a participação do advogado e pós-doutor em Regulação de Transportes e Portos pela Harvard University, Osvaldo Agripino. "Tudo bem acontecer a verticalização, mas é necessário que exista uma regulação econômica. Caso contrário, TUPs e portos públicos serão prejudicados".

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Agripino cobra mais efetividade por parte da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). "O atual ambiente é o pior possível para o importador e para o exportador. Vivemos em um cenário problemático em termos de armazenagem portuária, de demurrage. No final, os custos repercutem nas prateleiras dos supermercados, nas farmácias, nos shopping centers".

Outro profissional que se posiciona de forma contundente contra a verticalização - pelo menos da forma como tem sido administrada - é o capitão-de-fragata do Corpo da Armada da Marinha e diretor técnico do Conselho Nacional de Praticagem (Conapra), Carlos Alberto de Souza Filho.

Em participação no Congresso Nacional de Direito Marítimo, Portuário e Aduaneiro, em Recife, ele defendeu a importância da independência de sua categoria. "A verticalização tornou a Praticagem o único elo da cadeia logística que não está sob o controle dos armadores. Essa independência do prático e a sua responsabilidade em reportar falhas nas embarcações e manobras à Autoridade Marítima incomoda muito aos armadores. Se a Praticagem também fizesse parte dessa verticalização, os armadores poderiam obrigar a execução de operações que viriam a colocar em risco a segurança nos portos brasileiros".

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